ARTIGO

O problema de comunicação no franchising não é o que você pensa.

Sumário

Toda semana, algum executivo de uma grande rede franqueadora me diz a mesma coisa: “Reitz, a gente comunica, mas a ponta não executa.”

E quase sempre, enquanto fala isso, já tem uma lista mental de justificativas pronta. A franqueada não leu. O gerente não repassou. A equipe não priorizou. O problema está sempre do outro lado.

Só que existe uma pergunta que ninguém faz nesse momento.
E se o problema não for a execução, mas a comunicação em si?

Eu acompanho redes de todos os tamanhos. E existe uma armadilha silenciosa que aparece exatamente onde ninguém espera: nas operações que já investiram em tecnologia, que já têm canais para tudo, que já usam múltiplas plataformas. Essas redes acreditam ter resolvido o problema da comunicação. Na prática, muitas vezes o tornaram mais complexo.

Porque ter mais canais não é ter mais clareza. É ter mais lugares onde a mensagem pode se perder, se contradizer ou se diluir.

Quando uma orientação estratégica é espalhada por cinco plataformas diferentes, sem hierarquia, sem uma fonte oficial, sem separação clara entre o que é urgente e o que é apenas informativo, a rede não está comunicando melhor. Está criando ruído com aparência de organização.
E aí acontece algo previsível.

Quando qualquer elemento essencial está ausente ou ambíguo, a franqueada toma uma decisão sozinha: interpreta. Interpreta o prazo. Interpreta a prioridade. Interpreta o que precisa ser feito. E interpretação em escala é o maior inimigo da consistência operacional.

É assim que redes com 100 unidades convivem com problemas que pareciam impossíveis de acontecer. E redes com 1.000 unidades acabam com versões paralelas da mesma estratégia sendo executadas ao mesmo tempo, em lugares diferentes, com resultados incomparáveis.

Mas o que realmente preocupa não é a operação.

Uma rede que não comunica com clareza não perde apenas eficiência. Ela perde autoridade. Quando a franqueada percebe que as orientações chegam confusas, tardias ou contraditórias, ela começa a decidir sozinha e a depender cada vez menos da franqueadora. O que começa como um problema de comunicação termina como um problema de cultura e de governança.

E aí já é tarde para resolver com uma nova plataforma.

A pergunta que toda liderança de rede deveria se fazer não é “estamos comunicando?”. É: nossa rede sabe exatamente o que fazer amanhã de manhã por causa do que comunicamos hoje?

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